Um pouco sobre Bert Hellinger e sua caminhada

Estudou filosofia, teologia e pedagogia e trabalhou 16 anos como membro de uma ordem de missionários católicos na África do Sul. Posteriormente, tornou-se psicanalista e, por meio da Dinâmica de Grupo, da Terapia Primai, da Análise Transacional e de diversos métodos hipnoterapêuticos, desenvolveu sua própria Terapia Sistêmica e Familiar.

Hellinger atua além de sua especialidade porque ele transmite o essencial sobre as ordens do amor e da vida de uma forma clara e compreensível.



Assim como após o trabalho efetuado no verão, em que a colheita é feita durante o outono, o fruto de um longo trabalho e compreensão posterior foi coletado e organizado de forma compreensível neste compêndio. Até aqui um longo caminho foi percorrido.


Ele começou para mim com a dinâmica de grupo. Aqui pude observar e vivenciar como necessidades e avaliações antagônicas podem ser harmonizadas quando um grupo chega a reconhecer as diferenças, sem a pressão de uma autoridade externa, do puro encontro de uma pessoa com a outra e, partindo desse reconhecimento, pode concordar com uma ação conjunta e, ao mesmo tempo, satisfatória para todos os envolvidos.

A próxima estação nesse caminho foi a psicanálise. Ela constituiu, ao mesmo tempo, um polo oposto à dinâmica de grupo, porque na psicanálise a atenção estava dirigida totalmente aos movimentos opostos do próprio íntimo. Mas aqui também se tratava de realçar o dividido e o reprimido, e aceitar, como equivalente, o lado claro e permitido do consciente.

A terapia primai trouxe-me um aprofundamento das compreensões e experiências da psicanálise. Nesse método tratava-se de expressar sentimentos reprimidos num âmbito protegido, principalmente a tristeza e a dor. No decorrer de muitos meses pude observar e vivenciar em mim mesmo quão diferentemente atuam os sentimentos, que alguns sentimentos substituem ações e que outros as possibilitam. Desde então, posso diferenciar facilmente esses dois tipos de sentimentos. Já não me assusto mais com explosões violentas de sentimentos de outras pessoas.

Nessa época entrei em intenso contato com a análise transacional. O que me fascinou, antes de tudo, foi a análise de Scripts, isto é, que se pode trazer à luz com a ajuda de contos de fadas e histórias, o plano de vida pessoal secreto. Desse trabalho resultou uma profunda compreensão do lado oculto dos contos de fadas e histórias a tal ponto que, de maneira semelhante com o que ocorreu comigo, anteriormente, em relação aos sentimentos na terapia primai, aqueles já não podiam mais me influenciar de um modo que me afastasse de mim mesmo. Foi assim que reconheci, por exemplo, que a história do “Pequeno Príncipe” na verdade é um

eufemismo do suicídio e que as pessoas que gostam especialmente dessa história nutrem secretamente pensamentos suicidas. Mais tarde, quando cheguei à compreensão das ordens do amor, pude ver que muitos Scripts indicamum emaranhamento, isto é, que o script que uma pessoa segue descreve frequentemente o destino daquele membro da família, com o qual está emaranhada sob a influência da consciência familiar.

Outras importantes estações no meu caminho foram a hipnoterapia segundo Milton Erickson e a programação neurolingüística (PNL). Junto com a aplicação da observação exata dos mínimos movimentos, elas aplanaram meu caminho para o trabalho com histórias.

Quando então me dediquei à terapia familiar, já estava preparado para ela em muitos aspectos. Com as Constelações Familiares adquiri, uma após outra, compreensões das ordens do amor e os limites e modos de atuação da consciência. Daí resultaram amplas consequências para o meu trabalho terapêutico, por exemplo, no tratamento de doenças graves, traumas, psicoses, agressores e vítimas. Entretanto, além da psicoterapia no seu sentido restrito, adquiri mais e mais compreensões sobre o comportamento humano no seu sentido mais amplo, por exemplo, ordens no relacionamento de casal e ordens entre pais e filhos, sobre os efeitos distintos do comportamento religioso, sobre nossos encontros com a morte e os mortos e ainda sobre caminhos e modos de promover a paz e a reconciliação.

Este livro reúne afirmações essenciais sobre esses temas. É ao mesmo tempo colheita e, para me utilizar também de uma outra imagem, o fecho que une e sustenta as nervuras de uma abóbada.

Os textos aqui apresentados originaram-se, essencialmente, entre os anos de 1992 - 2000. Estão ligados a um contexto e foram pronunciados espontaneamente como introduções, esclarecimentos ou resumos em cursos de Constelações Familiares. Às vezes, foram respostas a perguntas feitas nesses cursos e também em entrevistas ou palestras. Os cursos e entrevistas foram gravados e por isso o texto original foi conservado, tendo sido aqui levemente reordenado por mim.

Trata-se, portanto, de afirmações feitas em um contexto e se referem, sempre, a uma situação concreta. O contexto as influencia e as torna vivas. Por isso, também não tratam de um tema na sua totalidade,

mas somente até o ponto em que a situação ou pergunta exigem. Algumas afirmações se assemelham e, entretanto, trazem uma referência adicional por ter uma outra situação como pano de fundo.

Este é um livro de consultas em vários sentidos. Por um lado, no sentido de uma coletânea tardia e, portanto, no sentido de colheita tardia. Por outro lado, porque aqui qualquer um pode consultar e ler facilmente o que procura com relação a determinados temas. Para facilitar a orientação, ordenei os textos de acordo com temas e escrevi uma introdução para cada um deles.

Talvez algum leitor sentirá a falta de uma extensa teoria para as minhas afirmações. Mas o que se ganharia com isso? Quem arrasta para a praia uma rede com muitos peixes é evidentemente o dono deles e pode pegá-los nas mãos. Mas, infelizmente, eles já não nadam mais. Neste livro podemos ver cada um dos peixes ainda nadando.

Uma história, na qual um discípulo pergunta ao seu mestre pela liberdade, descreve o que me aconteceu com estes textos: O mestre disse: “Algumas pessoas acham que são elas que procuram a verdade de suas almas. Contudo, é a Grande Alma que pensa e procura através delas. Como a natureza, ela pode permitir-se muitos erros, porque está sempre e sem esforço substituindo os falsos jogadores por novos. Mas àquele que a deixa pensar, concede, às vezes, um pouco de espaço e, como um rio que carrega o nadador que se deixa levar, ela o carrega também com sua força a novas margens”.

Gostaria de agradecer a todos que possibilitaram a edição deste livro. A eles pertencem aqueles que gravaram estes cursos ou entrevistas em som e imagem. Entre eles, especialmente JohannesNeuhauser e Harald Hohnen. MichaelaKaden ajudou-me na coletânea e leitura dos textos. Dr. Linz realizou comigo a entrevista Olhada na Oficina. Além disso, deu-me muitas indicações preciosas. Agradeço cordialmente a todos.

Este é um livro profundo. Cada uma das afirmações vale por si só. Por isso, pode-se facilmente começar com a leitura em qualquer lugar. Desejo a todos que a leitura lhes proporcione fecundo ganho pessoal.

Bert Hellinger


Texto retirado do livro A Fonte não precisa perguntar pelo caminho de BertHellinger

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"Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum  – para si mesmo ou para os outros – abandoná-lo quando assim ordena o seu coração (...) 

Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Tente-o tantas vezes quantas julgar necessárias...

Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui este caminho um coração?

Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma."     

Carlos Castaneda – os ensinamentos de Dom Juan